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A pergunta que quase toda paciente me faz
As causas das varizes estão por trás de uma das perguntas que mais escuto no consultório: “Doutora, por que eu tenho varizes?” É uma excelente pergunta. E a resposta quase nunca é simples.
Na maioria das pessoas, não existe uma única causa. O aparecimento das varizes costuma ser resultado da combinação de vários fatores ao longo da vida: alguns não podem ser modificados, outros dependem diretamente dos nossos hábitos. Entender esses fatores é importante não só para compreender por que as varizes apareceram, mas também para prevenir que novas veias doentes surjam no futuro.
1. Hereditariedade: o principal fator de risco
Se existe um fator que merece destaque como causa das varizes, é a hereditariedade. Na prática, algumas pessoas já nascem com uma predisposição genética para desenvolver insuficiência venosa.
É muito comum eu ouvir frases como “minha mãe sempre teve muitas varizes” ou “na minha família todas as mulheres têm varizes”. Isso acontece porque algumas características das veias podem ser herdadas, como:
- maior fragilidade da parede venosa;
- alterações no funcionamento das válvulas;
- maior tendência à dilatação das veias.
Ter histórico familiar não significa que você obrigatoriamente terá varizes, mas significa que merece uma atenção especial. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução.

2. Sexo feminino: por que as mulheres têm mais varizes?
As mulheres desenvolvem varizes com muito mais frequência do que os homens. O principal motivo é a influência dos hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, que podem favorecer o relaxamento da parede das veias, tornando-as mais suscetíveis à dilatação.
Além disso, ao longo da vida, muitas mulheres passam por situações que aumentam a pressão sobre o sistema venoso, como gravidez, uso de anticoncepcionais, reposição hormonal e menopausa. Tudo isso contribui para o aparecimento ou agravamento das varizes.
3. Gravidez e varizes: existe relação?
Sim, a gravidez também é uma das causas das varizes. Assim, a gestação é um dos períodos em que as varizes costumam surgir ou piorar, por uma combinação de fatores:
Alterações hormonais — durante a gestação, os hormônios deixam as paredes das veias mais relaxadas.
Aumento do volume de sangue — o organismo da gestante passa a transportar uma quantidade maior de sangue, o que aumenta o trabalho das veias.
Crescimento do útero — à medida que o bebê cresce, o útero passa a exercer pressão sobre as veias da pelve, dificultando o retorno do sangue das pernas.
Ganho de peso — o aumento do peso corporal também eleva a pressão sobre a circulação.
Por todos esses motivos, é comum que novas varizes apareçam durante a gravidez. Em muitas mulheres, parte delas melhora após o parto; outras permanecem e precisam de tratamento.

4. Envelhecimento
Com o passar dos anos, ocorre um desgaste natural das estruturas do organismo. As válvulas das veias também envelhecem, o que pode reduzir sua capacidade de impedir o refluxo do sangue. Por esse motivo, a incidência de insuficiência venosa aumenta com a idade.
Mas faço questão de destacar: ter idade avançada não significa que sentir dor ou peso nas pernas seja normal. Sempre vale a pena investigar.
5. Permanecer muito tempo em pé ou sentado
Profissionais que passam muitas horas na mesma posição apresentam maior risco de desenvolver sintomas relacionados à circulação, entre eles:
- professores;
- médicos;
- dentistas;
- cabeleireiros;
- vendedores;
- cozinheiros;
- balconistas;
- cirurgiões;
- caixas;
- profissionais de escritório.
O problema não é apenas ficar em pé, nem apenas ficar sentado. O problema é permanecer parado durante muito tempo. Quando movimentamos pouco a panturrilha, a chamada “bomba muscular” trabalha menos, dificultando o retorno do sangue ao coração.
💡 Dica prática da Dra. Suellen Se sua profissão exige muitas horas sentado ou em pé, procure movimentar os tornozelos, caminhar alguns minutos sempre que possível e evitar permanecer completamente imóvel por longos períodos. Pequenas pausas podem ajudar bastante na circulação.
6. Sedentarismo
O movimento é um grande aliado das veias. Quando caminhamos, pedalamos ou fazemos exercícios, os músculos da panturrilha ajudam a impulsionar o sangue. Já o sedentarismo reduz esse mecanismo natural, favorecendo o acúmulo de sangue nas pernas e intensificando sintomas como peso, inchaço e cansaço.
A prática regular de atividade física não elimina varizes já existentes, mas ajuda a melhorar a circulação e contribui para o controle da doença venosa.
7. Excesso de peso e obesidade
O excesso de peso aumenta a pressão sobre as veias das pernas, tornando o retorno do sangue mais difícil. Além disso, pessoas com obesidade apresentam maior risco de inflamação crônica e de outras condições que podem agravar a insuficiência venosa. Manter um peso saudável faz parte do tratamento e também da prevenção.
8. Lipedema e varizes
Muitas pacientes apresentam lipedema e varizes ao mesmo tempo. Embora sejam doenças diferentes, elas frequentemente coexistem.
O lipedema provoca inflamação crônica do tecido gorduroso, dor ao toque, aumento do volume das pernas e dificuldade na drenagem dos líquidos. Essa sobrecarga pode piorar os sintomas venosos. Por isso, quando identifico lipedema associado às varizes, elaboro um plano integrado de tratamento: na maioria das pacientes, começo pelo controle da inflamação e dos sintomas do lipedema e só depois sigo para o tratamento definitivo das varizes. Essa estratégia costuma proporcionar melhores resultados, tanto do ponto de vista funcional quanto estético.

9. Cruzar as pernas causa varizes?
Não. Até o momento, não existem evidências científicas de que cruzar as pernas seja capaz de causar varizes. Entretanto, permanecer muito tempo imóvel, independentemente da posição, pode aumentar o desconforto em quem já possui doença venosa.
10. Salto alto causa varizes?
Também não. O salto alto não é causa direta de varizes. Entretanto, seu uso contínuo pode reduzir a movimentação natural da panturrilha durante a caminhada e, como vimos, a panturrilha é um importante “segundo coração” da circulação venosa.

11. Academia piora as varizes?
Na maioria das vezes, não. Pelo contrário: a prática regular de exercícios costuma trazer benefícios para a circulação. O mais importante é escolher atividades adequadas e respeitar as orientações médicas. Caminhada, bicicleta, musculação orientada e exercícios aquáticos costumam ser excelentes opções.
Quais são os primeiros sintomas das varizes?
Nem sempre as primeiras manifestações são visíveis. Muitas vezes os sintomas aparecem antes das veias. Os sinais mais comuns incluem:
- sensação de peso nas pernas;
- dor;
- cansaço;
- inchaço ao final do dia;
- sensação de pernas cansadas;
- coceira;
- queimação;
- cãibras noturnas;
- inquietação nas pernas.
Se esses sintomas são frequentes, vale a pena procurar um cirurgião vascular para uma avaliação.
⚠️ Atenção Quanto mais cedo a insuficiência venosa for diagnosticada, maiores são as possibilidades de tratar a doença antes que ocorram alterações permanentes na pele ou complicações mais importantes.
Em resumo
As varizes normalmente surgem pela combinação de diversos fatores. Entre os principais estão:
- predisposição genética;
- sexo feminino;
- gravidez;
- envelhecimento;
- permanência prolongada em pé ou sentado;
- sedentarismo;
- excesso de peso;
- lipedema associado.
Conhecer esses fatores ajuda a compreender a doença, mas não substitui uma avaliação médica individualizada. Cada paciente tem uma história diferente e merece um plano de tratamento personalizado.
Se você se reconheceu em vários desses fatores de risco, vale investigar sua circulação antes que os sintomas avancem. Posso te mostrar exatamente o que está acontecendo numa única avaliação.
No próximo capítulo, você entenderá quais complicações as varizes podem causar, quando elas deixam de ser apenas um problema estético, quais sinais merecem atenção e por que algumas pessoas desenvolvem manchas, trombose, sangramentos e úlceras venosas.
Perguntas frequentes:
Varizes têm cura?
As varizes que já se formaram não desaparecem sozinhas, mas têm tratamento — e com excelentes resultados quando bem indicado. É importante entender que a insuficiência venosa é uma condição crônica: eu trato as veias doentes existentes e acompanho a circulação ao longo do tempo, porque, dependendo da predisposição de cada pessoa, novas veias podem se formar no futuro. Por isso falo em tratar e controlar, mais do que em “cura definitiva”.
Varizes voltam depois do tratamento?
As veias tratadas não voltam — elas deixam de funcionar e são absorvidas pelo organismo. O que pode acontecer, em algumas pessoas, é o surgimento de novas varizes ao longo dos anos, especialmente quando há predisposição genética. Isso não significa que o tratamento “falhou”: significa que a doença venosa é crônica e merece acompanhamento. Um bom diagnóstico inicial, tratando a real origem do problema, reduz bastante essa chance.
Quem tem varizes vai precisar operar?
Na imensa maioria dos casos, não. A medicina evoluiu muito e hoje, na minha prática, mais de 95 % dos pacientes são tratados com técnicas minimamente invasivas, sem cirurgia convencional, sem internação e sem raquianestesia. O advento do endolaser e do laser transdérmico permitiram tratar as varizes com segurança no ambiente da clínica, com rápida recuperação e sem cortes. Porém, para saber qual a melhor técnica, cada caso é avaliado individualmente; O tratamento depende do tipo de veia acometida, dos sintomas e do resultado do ultrassom Doppler.
Leia mais sobre isso no artigo Como Escolher o Melhor Tratamento para Varizes.
Este artigo faz parte do Guia Completo sobre Varizes e Vasinhos.