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Dra. Suellen Bonadiman – Médica Cirurgiã Vascular em Maringá.

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

O tratamento das varizes mudou completamente nos últimos anos

O laser transdérmico é uma das tecnologias que mais revolucionaram a flebologia — e mudaram a vida de quem, durante anos, achava que só existiam duas opções: conviver com o problema ou fazer cirurgia. Felizmente, isso mudou, e a evolução da tecnologia trouxe tratamentos cada vez menos invasivos.

Hoje o laser transdérmico é uma das minhas principais ferramentas para tratar vasinhos, microvarizes e algumas veias superficiais, com excelentes resultados quando bem utilizado. Mas há um detalhe importante: o laser não substitui todos os outros tratamentos. Ele faz parte de um conjunto de técnicas que uso isoladamente ou em associação, dependendo de cada paciente — e é essa individualização que permite resultados mais naturais e duradouros.

💡 Você sabia? Em muitos pacientes, o melhor resultado não vem só do laser nem só das aplicações. A associação das duas técnicas costuma proporcionar um tratamento mais completo e um acabamento estético superior.

O que é o laser transdérmico?

A palavra transdérmico significa literalmente “através da pele”. Diferentemente do endolaser, em que uma fibra é introduzida dentro da veia, o laser transdérmico atua sem precisar entrar no vaso.

O equipamento emite uma luz altamente concentrada que atravessa a pele e é absorvida principalmente pela hemoglobina, o pigmento presente no sangue. Essa energia transforma-se em calor, que provoca o fechamento controlado da veia tratada. Com o tempo, o próprio organismo absorve esse vaso, que deixa de ser visível, e o sangue continua circulando normalmente por outras veias saudáveis.

Como o laser trata a veia sem machucar a pele?

À primeira vista parece impossível, mas a resposta está na física do laser. Cada equipamento trabalha com um comprimento de onda específico. Na flebologia, usamos comprimentos de onda capazes de atingir preferencialmente a hemoglobina dentro das veias — ou seja, a maior parte da energia é absorvida pelo sangue, e não pela pele.

Além disso, os equipamentos modernos têm sistemas de resfriamento que ajudam a proteger a superfície da pele durante o tratamento. Uso protocolos cuidadosamente ajustados para cada paciente, considerando cor da pele, espessura da pele, calibre dos vasos, localização das veias e sensibilidade individual. Essa personalização aumenta a segurança e melhora os resultados.

Quais vasos podem ser tratados com laser?

O laser transdérmico é indicado principalmente para:

  • vasinhos avermelhados;
  • vasinhos arroxeados;
  • telangiectasias;
  • microvarizes;
  • pequenos vasos alimentadores;
  • alguns vasos da face;
  • vasos localizados nos pés e tornozelos, quando bem indicados.

Entretanto, nem toda veia responde da mesma forma ao laser — veias maiores costumam exigir outras abordagens. É justamente por isso que a avaliação inicial é tão importante.

O laser trata apenas a estética?

Não. Embora o principal objetivo do laser transdérmico seja melhorar a aparência das pernas, muitos pacientes também relatam melhora de sintomas relacionados aos pequenos vasos superficiais. Quando uso o laser como parte de um plano terapêutico mais amplo, consigo tratar a doença venosa de forma muito mais completa. Meu objetivo nunca é apenas “apagar vasinhos” — é melhorar a circulação, tratar as veias responsáveis pelo problema e proporcionar um resultado harmonioso.

O laser substitui as aplicações?

Nem sempre. Laser e escleroterapia não são tratamentos concorrentes — costumam ser complementares. Cada técnica tem pontos fortes e atua melhor em determinados tipos de vasos. Na prática, é muito comum eu associar as duas no mesmo plano de tratamento, o que permite abordar vasos de diferentes calibres e alcançar um resultado mais uniforme. É por isso que muitos pacientes obtêm um resultado superior com estratégias combinadas, em vez de uma única técnica.

O tratamento com laser dói?

Essa preocupação é compreensível. A sensação durante o disparo do laser costuma ser descrita como pequenas picadas ou estalos rápidos sobre a pele, e cada pessoa percebe isso de maneira diferente. Além dos ajustes individualizados do equipamento, ofereço um dos grandes diferenciais do meu atendimento:

Sedação consciente com óxido nitroso (Técnica Annox)

Sempre que indicado, realizo os procedimentos com sedação consciente. Essa tecnologia reduz significativamente a ansiedade e melhora muito a experiência. A maioria das pessoas permanece acordada, conversa normalmente durante o procedimento e relata muito mais tranquilidade. Dedico um artigo inteiro a esse diferencial mais adiante neste guia.

Quantas sessões são necessárias?

Varia bastante, dependendo da quantidade de vasos, do calibre das veias, do tipo de circulação, da presença de insuficiência venosa e da resposta individual ao tratamento. Na maioria dos pacientes, o tratamento é feito em um plano com várias sessões, respeitando intervalos adequados. A cada retorno, avalio a evolução, registro fotografias clínicas e defino os próximos passos. Esse acompanhamento permite resultados progressivos e naturais.

O resultado aparece imediatamente?

Alguns vasos desaparecem rapidamente; outros escurecem antes de serem absorvidos; e há vasos que precisam de sessões adicionais — isso faz parte do processo normal de cicatrização. Por isso, o resultado deve ser avaliado ao longo do tratamento, e não apenas nos primeiros dias.

Quais são as vantagens do laser transdérmico?

Entre os principais benefícios: procedimento em consultório, técnica minimamente invasiva, sem cortes, sem internação, recuperação rápida, excelente precisão, possibilidade de associação com outras técnicas e ótimo resultado estético quando bem indicado.

Existem limitações?

Sim. O laser transdérmico não é indicado para todos os tipos de varizes. Veias maiores, principalmente com refluxo importante, costumam responder melhor ao laser endovenoso (endolaser) ou a outras abordagens. Além disso, pacientes com diferentes tipos de pele ou determinadas condições clínicas podem precisar de ajustes específicos.

É exatamente por isso que nunca indico laser apenas com base em fotografias enviadas por WhatsApp ou redes sociais. A escolha da técnica deve ser feita após uma avaliação médica completa.

“O laser é uma das tecnologias que mais utilizo na minha prática. Mas nunca o considero uma solução isolada. Meu objetivo é combinar as melhores técnicas para cada paciente. Muitas vezes associo o laser à escleroterapia, tratando diferentes tipos de vasos no mesmo plano terapêutico e alcançando um resultado mais completo.”

Em resumo

Neste artigo você aprendeu que:

  • o laser transdérmico revolucionou o tratamento dos vasinhos;
  • ele atua através da pele, sem cortes;
  • trata principalmente vasos superficiais e microvarizes;
  • frequentemente é associado à escleroterapia;
  • os procedimentos podem ser realizados com sedação consciente Annox, trazendo muito mais conforto;
  • a escolha do laser depende sempre de uma avaliação vascular completa.

Se você quer tratar vasinhos ou microvarizes com segurança e um bom acabamento estético, o primeiro passo é uma avaliação da sua circulação. A partir dela, defino o melhor plano para você.

Este artigo faz parte do Guia Completo sobre Varizes e Vasinhos.

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