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Dra. Suellen Bonadiman – Médica Cirurgiã Vascular em Maringá.

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

As complicações das varizes são o que transforma um incômodo estético em um problema de saúde — e entender esse ponto de virada é o que ajuda a decidir a hora certa de tratar.

No consultório, encontro basicamente três perfis. Muitas pacientes me procuram incomodadas com a aparência das pernas. Outras chegam dizendo: “Doutora, eu nem me importo tanto com a estética. O problema é que minhas pernas doem muito.” E há ainda um terceiro grupo: quem não sente praticamente nada e acredita que pode deixar o tratamento para depois.

A verdade é que as varizes não evoluem da mesma forma em todas as pessoas. Algumas convivem durante muitos anos apenas com pequenos vasinhos; outras desenvolvem uma insuficiência venosa importante, com dor, inchaço e alterações na pele. Por isso, uma das perguntas mais importantes que respondo durante a consulta é: esta doença está apenas afetando a aparência das pernas, ou já está comprometendo a saúde da circulação? É essa resposta que define o momento ideal para tratar.

💡 Você sabia? Muitas pessoas acreditam que só precisam procurar um cirurgião vascular quando as varizes ficam muito grandes. Na prática, sintomas como peso, dor e inchaço podem aparecer muito antes de as veias se tornarem evidentes.

Toda variz precisa ser tratada?

Nem sempre — essa resposta costuma surpreender. Em alguns casos, pequenas veias podem apenas ser acompanhadas ao longo do tempo. Em outros, recomendo tratar mesmo quando as varizes ainda não são muito aparentes.

O que determina essa decisão não é apenas o tamanho da veia. Levo em conta diversos fatores:

  • seus sintomas;
  • a intensidade do refluxo venoso;
  • o resultado do ultrassom Doppler;
  • a presença de complicações;
  • seu histórico clínico;
  • sua rotina;
  • seus objetivos.

Por isso, duas pessoas com pernas muito parecidas podem receber orientações completamente diferentes. É justamente essa individualização que torna a avaliação vascular tão importante.

Quais sintomas merecem atenção?

As varizes podem provocar muito mais do que alterações na aparência das pernas. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • sensação de peso, principalmente no final do dia;
  • dor nas pernas;
  • cansaço excessivo ao permanecer em pé;
  • inchaço, especialmente nos tornozelos;
  • queimação;
  • coceira;
  • cãibras noturnas;
  • sensação de pernas inquietas;
  • desconforto após viagens longas;
  • piora dos sintomas durante o calor.

Esses sintomas costumam melhorar quando a pessoa caminha, eleva as pernas ou usa meias de compressão, quando indicadas. Se você apresenta um ou mais desses sinais com frequência, vale a pena procurar uma avaliação especializada.

O que acontece quando as varizes não são tratadas?

A resposta depende do estágio da doença. Algumas pessoas permanecem estáveis durante anos; outras apresentam evolução progressiva. De maneira geral, quando existe insuficiência venosa, a tendência é que a doença avance lentamente ao longo do tempo, podendo resultar em novas varizes, aumento das veias já existentes, intensificação da dor, mais inchaço, alterações na pele e complicações mais importantes. Nem todos os pacientes chegam a esse ponto, mas é importante conhecer essas possibilidades.

Escurecimento da pele

Uma das primeiras complicações que podem surgir é o escurecimento da pele, principalmente perto dos tornozelos. Isso acontece porque a pressão elevada dentro das veias facilita a saída de pequenas quantidades de sangue para os tecidos. Com o tempo, ocorre depósito de pigmentos na pele — inicialmente pequenas manchas amarronzadas. Sem tratamento, essas alterações podem se tornar permanentes.

Endurecimento da pele

Em alguns pacientes, além do escurecimento, ocorre endurecimento da pele e do tecido subcutâneo — uma alteração chamada lipodermatoesclerose, sinal de que a insuficiência venosa já está mais avançada. Quanto mais cedo a doença for tratada, menores as chances de chegar a esse estágio.

Flebite: quando a variz inflama

Outra complicação relativamente comum é a tromboflebite superficial, também conhecida como flebite. Nessa situação, a variz torna-se endurecida, avermelhada, quente e dolorosa ao toque. Embora geralmente seja localizada, precisa ser avaliada pelo cirurgião vascular — em alguns casos, é necessário fazer exames complementares para afastar comprometimento de veias mais profundas.

⚠️ Atenção Se você perceber uma veia endurecida, avermelhada e muito dolorosa, procure atendimento médico. Nem toda flebite é uma emergência, mas todas merecem avaliação.

As varizes podem causar trombose?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes. As varizes aumentam discretamente o risco de alguns tipos de trombose, principalmente da trombose venosa superficial. Já a trombose venosa profunda é uma doença diferente, com diversos outros fatores de risco. Por isso, durante a consulta, investigo cuidadosamente o histórico clínico, cirúrgico e familiar, e, quando necessário, oriento medidas específicas para reduzir esse risco.

As varizes podem sangrar?

Sim. Embora não seja frequente, algumas varizes ficam muito superficiais e podem romper após pequenos traumas. Esse sangramento costuma assustar bastante, porque as veias estão sob pressão. Na maioria das vezes, o controle inicial é simples: eleve a perna acima do nível do coração e faça compressão firme sobre o local. Depois disso, procure avaliação médica. Tratar a veia responsável reduz muito a chance de novos episódios.

A complicação mais avançada: a úlcera venosa

A forma mais avançada da insuficiência venosa é a úlcera venosa, popularmente conhecida como ferida varicosa. Costuma surgir perto do tornozelo, como consequência de muitos anos de aumento da pressão nas veias, e pode causar dor, limitação das atividades, dificuldade para cicatrizar e infecções.

A boa notícia é que, quando trato a causa da insuficiência venosa, muitas úlceras apresentam melhora importante e o risco de recorrência diminui.

Como evito que a doença evolua?

A melhor estratégia é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo identifico a insuficiência venosa, maiores as possibilidades de aliviar sintomas, interromper a progressão da doença, prevenir complicações, usar tratamentos menos invasivos e preservar a qualidade de vida. Esse é um dos principais motivos pelos quais valorizo tanto a avaliação inicial completa.

“Nem toda paciente precisa tratar imediatamente. Mas toda paciente merece entender em que estágio está sua doença e quais são as consequências de adiar o tratamento. Minha função é fornecer essas informações com clareza, para que a decisão seja tomada de forma consciente e segura.”

Em resumo

Ao terminar este capítulo, você aprendeu que:

  • as varizes vão muito além da estética;
  • nem toda variz precisa ser tratada imediatamente;
  • dor, peso e inchaço são sinais importantes;
  • a insuficiência venosa pode evoluir ao longo do tempo;
  • complicações como manchas, flebite, sangramento e úlcera podem ocorrer em casos mais avançados;
  • uma avaliação precoce permite indicar o momento mais adequado para o tratamento.

Não é preciso esperar uma complicação aparecer para cuidar das suas veias. Se você tem sintomas ou já notou mudanças na pele, posso avaliar em que estágio está sua circulação e o que fazer a respeito.

Este artigo faz parte do Guia Completo sobre Varizes e Vasinhos.

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