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O endolaser para varizes é hoje uma das principais alternativas à antiga cirurgia de retirada da safena — menos invasivo, com recuperação mais rápida e feito sem cortes. Neste artigo, explico como funciona, quando indico e como é a recuperação.
“Doutora, vou precisar arrancar a safena?”
Essa é uma das primeiras perguntas que muitos pacientes fazem quando descobrem que possuem insuficiência da veia safena. E é compreensível: durante muitos anos, o tratamento das varizes ficou conhecido pela chamada cirurgia de retirada da safena. Talvez você conheça alguém que passou por esse procedimento — é comum ouvir relatos de internação hospitalar, cortes, hematomas extensos, vários dias de recuperação e um período mais prolongado de afastamento das atividades.
Mas a medicina evoluiu. Hoje, a grande maioria dos pacientes com insuficiência da veia safena pode ser tratada por técnicas minimamente invasivas, sem necessidade da cirurgia convencional. Entre essas técnicas, uma das mais importantes é o laser endovenoso, conhecido também como Endolaser.
Atualmente, ele é considerado uma das principais opções para pacientes com indicação adequada, proporcionando excelentes resultados, recuperação mais rápida e menor agressão aos tecidos quando comparado à cirurgia convencional.
💡 Você sabia? O Endolaser não é um tratamento “mais moderno apenas porque utiliza laser”. Ele representa uma mudança completa na forma de tratar a insuficiência venosa, permitindo abordar a causa da doença com muito mais precisão e menor trauma para o organismo.
O que é o Endolaser?
O Endolaser é um procedimento minimamente invasivo desenvolvido para tratar veias de maior calibre, principalmente quando existe insuficiência da veia safena magna ou da veia safena parva.
Ao contrário do laser transdérmico, utilizado para tratar vasos através da pele, o Endolaser atua no interior da veia. Para isso, é utilizada uma fibra óptica extremamente fina, posicionada cuidadosamente dentro da veia com auxílio do ultrassom. Essa fibra conduz a energia do laser exatamente para o segmento da veia que apresenta refluxo.
A energia é aplicada de forma controlada ao longo de todo o trajeto da veia doente, o que provoca o fechamento desse vaso. Com o passar dos meses, essa veia é naturalmente absorvida pelo organismo, e o sangue continua circulando normalmente por outras veias saudáveis.

O que é a veia safena?
Para entender o Endolaser, primeiro é preciso compreender o papel da safena. A veia safena magna é a maior veia superficial da perna, percorrendo praticamente todo o membro inferior, desde o tornozelo até a região da virilha. Existe também a veia safena parva, localizada na região posterior da perna. Em condições normais, ambas ajudam no retorno do sangue ao coração.
O problema surge quando suas válvulas deixam de funcionar corretamente. Nesse momento, parte do sangue começa a retornar no sentido contrário — o refluxo venoso. Esse refluxo aumenta progressivamente a pressão dentro da circulação superficial, e com o tempo, novas varizes aparecem. É justamente por isso que, em muitos pacientes, tratar apenas as veias aparentes não resolve completamente o problema.

O Endolaser trata apenas uma veia?
Não. Na verdade, ele trata a origem do problema. Imagine uma árvore: o tronco representa a safena, os galhos representam as varizes, as folhas representam os vasinhos. Se forem tratadas apenas as folhas, mas o tronco continuar doente, novos galhos continuarão surgindo.
Com a circulação acontece algo semelhante. Quando a safena apresenta refluxo, ela passa a alimentar diversas outras varizes. Por isso, em pacientes com indicação para Endolaser, o objetivo é tratar justamente essa principal fonte da insuficiência venosa. Depois disso, outras técnicas podem ser utilizadas para tratar tributárias, microvarizes e vasinhos remanescentes — uma abordagem que costuma proporcionar resultados mais completos e duradouros.

O que dizem as principais diretrizes internacionais?
A medicina moderna é baseada em evidências científicas, ou seja, as decisões não são tomadas apenas pela experiência do médico, mas também consideram os resultados de estudos realizados com milhares de pacientes ao redor do mundo.
Diversos estudos compararam o Endolaser com a cirurgia convencional para o tratamento da insuficiência da safena. Os resultados demonstraram que, para pacientes com indicação adequada, o Endolaser oferece:
- excelentes taxas de sucesso;
- menor trauma cirúrgico;
- recuperação mais rápida;
- menor dor pós-operatória;
- retorno mais precoce às atividades habituais;
- alta satisfação dos pacientes.
Por esse motivo, sociedades científicas como a Society for Vascular Surgery (SVS), o American Venous Forum (AVF) e a European Society for Vascular Surgery (ESVS) recomendam as técnicas endovenosas, como o Endolaser, como primeira opção para muitos pacientes com insuficiência da safena e anatomia favorável. Isso não significa que todos os pacientes devam realizar Endolaser — significa que ele passou a ocupar um papel central no tratamento moderno da doença venosa.
🔬 Entenda a ciência As diretrizes internacionais não afirmam que existe um único tratamento ideal para todos os pacientes. Elas recomendam que a escolha da técnica seja individualizada, levando em consideração a anatomia da veia, os sintomas, os objetivos do paciente e a experiência da equipe médica.
Como é realizado o procedimento?
O tratamento começa muito antes do dia do procedimento. Primeiro é realizada uma avaliação vascular completa: exame físico, fleboscopia e ultrassom Doppler, construindo um verdadeiro mapa da circulação venosa. Esse planejamento permite identificar exatamente quais segmentos da veia precisam ser tratados.
No dia do procedimento, é feita nova marcação das veias. Sob orientação ultrassonográfica, é introduzida delicadamente uma fibra óptica muito fina dentro da veia insuficiente — todo esse processo é acompanhado em tempo real pelo ultrassom, garantindo precisão no posicionamento da fibra e aumentando a segurança do procedimento.
Quando a fibra está exatamente na posição planejada, inicia-se a aplicação da energia do laser, liberada de maneira controlada enquanto a fibra é retirada lentamente. Esse movimento permite tratar todo o segmento insuficiente da veia.

O papel da anestesia tumescente
Outro passo extremamente importante do Endolaser é a chamada anestesia tumescente. Antes da aplicação do laser, é infiltrada cuidadosamente uma solução anestésica ao redor da veia, que possui diversas funções importantes:
- proporciona conforto ao paciente;
- protege os tecidos vizinhos;
- afasta a veia da pele;
- reduz o risco de lesões térmicas;
- melhora a eficiência da transmissão da energia;
- aumenta a segurança do procedimento.
É um detalhe técnico que faz enorme diferença na qualidade do tratamento.
O ultrassom durante todo o procedimento
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o ultrassom não serve apenas para fazer o diagnóstico. Durante o Endolaser, ele funciona como os “olhos” do cirurgião vascular, permitindo acompanhar o trajeto da fibra, a anatomia da veia, o posicionamento da anestesia tumescente e toda a aplicação da energia. Essa visualização em tempo real é um dos principais fatores responsáveis pela precisão do procedimento.
Por que utilizamos o laser de 1470 nm?
Uma dúvida muito comum é: “Todo Endolaser é igual?” A resposta é não. Os primeiros lasers endovenosos utilizavam comprimentos de onda diferentes dos atuais. Com o avanço das pesquisas, surgiram equipamentos mais modernos, capazes de entregar a energia de maneira mais eficiente e seletiva.
Na clínica é utilizado o laser de 1470 nanômetros (1470 nm), uma tecnologia amplamente empregada na cirurgia vascular moderna. Esse comprimento de onda apresenta maior absorção pela água presente na parede da veia, permitindo que a energia seja aplicada de forma mais eficiente exatamente onde se deseja atuar — contribuindo para um tratamento mais preciso e com menor propagação de calor para os tecidos ao redor, quando comparado às primeiras gerações de lasers endovenosos.
É importante destacar que o resultado do tratamento não depende apenas do equipamento: depende também do planejamento, da experiência do cirurgião vascular, da correta seleção do paciente e da técnica utilizada durante todo o procedimento.

O organismo sente falta da safena?
Essa talvez seja a dúvida mais frequente de todas: “Se a safena é uma veia importante, meu organismo não vai sentir falta dela?” A resposta é não.
Quando o tratamento da safena é indicado, é porque ela já perdeu sua função normal — em vez de ajudar a circulação, ela passou a permitir que o sangue retorne na direção errada. Depois que essa veia é tratada, o sangue passa naturalmente a utilizar outras veias saudáveis, já que o organismo possui uma extensa rede venosa capaz de assumir essa função.
Por isso, em pacientes com indicação adequada, o fechamento da safena não prejudica a circulação. Na verdade, em muitos casos ocorre exatamente o contrário: ao eliminar o refluxo venoso, a circulação se torna mais eficiente e sintomas como dor, peso e inchaço diminuem.
💡 Você sabia? A veia safena normal é extremamente importante e jamais deve ser tratada sem indicação. O Endolaser é indicado apenas quando a safena apresenta insuficiência venosa comprovada pelo exame clínico e pelo ultrassom Doppler.
O Endolaser é definitivo?
O objetivo do Endolaser é tratar de forma definitiva a veia insuficiente submetida ao procedimento. Quando o tratamento é realizado corretamente e a veia permanece ocluída, ela não volta a funcionar.
Entretanto, é importante que todo paciente saiba: a insuficiência venosa é uma doença crônica. Isso significa que a predisposição para desenvolver novas varizes continua existindo, principalmente em pessoas que apresentam:
- histórico familiar;
- novas gestações;
- alterações hormonais;
- envelhecimento;
- ganho importante de peso;
- outros fatores de risco.
Portanto, o Endolaser trata de forma eficaz a veia doente, mas isso não impede que, muitos anos depois, outras veias possam desenvolver insuficiência. É exatamente por esse motivo que o acompanhamento periódico é tão valorizado.
Como é a recuperação?
Uma das maiores vantagens do Endolaser é permitir uma recuperação muito mais rápida do que a cirurgia convencional em muitos pacientes. Na maioria dos casos, o procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, e após um período de observação, o paciente recebe alta no mesmo dia.
Logo após o tratamento, é incentivada a caminhada, que ajuda a estimular a circulação e faz parte da recuperação. Dependendo das características do tratamento realizado, também podem ser recomendados:
- uso de meia de compressão;
- caminhadas diárias;
- evitar atividades físicas intensas por alguns dias;
- retorno para avaliação conforme programação individual.
Cada paciente recebe orientações específicas.

O procedimento dói?
Essa preocupação é absolutamente natural. Na prática, a maioria dos pacientes relata uma experiência muito mais tranquila do que imaginava, graças a diversas estratégias utilizadas para proporcionar conforto durante todo o procedimento:
- anestesia tumescente;
- técnica minimamente invasiva;
- planejamento cuidadoso;
- equipe treinada;
- sedação consciente com óxido nitroso (quando indicada).
A sedação consciente com óxido nitroso (técnica Annox) tornou-se um importante diferencial para pacientes que apresentam ansiedade ou receio de procedimentos médicos, ajudando a proporcionar uma experiência muito mais confortável e mantendo o paciente consciente e colaborativo durante todo o tratamento.
O Endolaser elimina todas as varizes?
Nem sempre — e esse é um ponto muito importante. O Endolaser trata principalmente a causa da insuficiência venosa, corrigindo o refluxo da safena quando ela é a origem do problema. Entretanto, muitos pacientes também apresentam tributárias dilatadas, microvarizes e vasinhos, que podem necessitar de tratamentos complementares.
É justamente por isso que se fala em plano de tratamento, e não em um único procedimento. Cada técnica possui um papel específico:
- o Endolaser trata a origem do refluxo;
- o laser transdérmico trata vasos superficiais;
- a escleroterapia trata determinados vasos de pequeno calibre;
- a espuma ecoguiada pode ser indicada para situações específicas.
Quando essas técnicas são combinadas de forma planejada, conseguem-se resultados muito mais completos.

O que diferencia o tratamento realizado na clínica da Dra. Suellen?
A tecnologia faz diferença, mas nunca é o fator mais importante. O verdadeiro diferencial está na forma como cada caso é estudado. Nenhum paciente recebe indicação de tratamento apenas olhando fotografias das pernas. Toda decisão é baseada em:
- conversa detalhada;
- exame físico;
- fleboscopia com realidade aumentada;
- ultrassom Doppler realizado pela própria Dra. Suellen;
- mapeamento completo da circulação;
- análise dos sintomas;
- objetivos do paciente.
Somente depois dessa avaliação é construído um plano terapêutico individualizado. Em muitos casos, o Endolaser faz parte desse planejamento; em outros, outras técnicas oferecem melhores resultados. Mais importante do que dominar uma tecnologia é saber exatamente quando utilizá-la.
“O Endolaser é uma das maiores evoluções da cirurgia vascular nas últimas décadas. Mas ele não é uma solução pronta para todos os pacientes. Meu compromisso é indicar essa tecnologia apenas quando ela realmente representa a melhor opção para aquela pessoa. O tratamento começa muito antes do laser: começa entendendo a sua circulação.”
Em resumo
Ao terminar este artigo, você aprendeu que:
- o Endolaser é uma técnica minimamente invasiva que trata a safena sem necessidade de cirurgia convencional;
- ele atua diretamente no interior da veia, com auxílio de uma fibra óptica e do ultrassom;
- é utilizado um laser de 1470 nm, amplamente empregado na cirurgia vascular moderna;
- a safena tratada já havia perdido sua função normal — seu fechamento não prejudica a circulação quando há indicação adequada;
- o Endolaser trata de forma eficaz a veia insuficiente, mas a doença venosa continua exigindo acompanhamento ao longo da vida;
- a recuperação costuma ser rápida, com retorno para casa no mesmo dia;
- o procedimento pode ser realizado com sedação consciente por óxido nitroso, aumentando o conforto;
- o Endolaser frequentemente faz parte de um plano integrado com outras técnicas;
- o principal diferencial não é apenas a tecnologia, mas o diagnóstico preciso e o planejamento individualizado.
No próximo artigo, você conhecerá um dos diferenciais mais valorizados pelos pacientes da clínica: a sedação consciente com óxido nitroso (Annox). Vamos explicar como funciona, por que reduz tanto a ansiedade, quem pode utilizá-la e por que tornou o tratamento das varizes muito mais confortável para muitos pacientes.